Os democratas venceram as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos e assumirão o controle da Câmara e do Senado, segundo as projeções da CBS News e da CNBC, divulgadas na noite de terça-feira (3) e na madrugada desta quarta (4). A busca por “eleição EUA” foi a maior da política no Google Brasil nas últimas 24 horas.
Para o leitor brasileiro, o resultado importa porque o Congresso americano decide orçamento, confirma nomeações e pode barrar ou aprovar medidas de comércio e sanções. Com a oposição ao presidente Donald Trump no comando das duas Casas, a pauta de Washington muda a partir de janeiro, quando os eleitos tomam posse. Qualquer efeito direto sobre o Brasil dependerá de decisões que ainda não foram tomadas.
O que aconteceu
A votação ocorreu na terça-feira, 3 de novembro. Segundo o blog de cobertura ao vivo da CBS News, atualizado às 5h34 (horário de Washington) de quarta, a rede projetou por volta das 22h15 a vitória democrata na Câmara dos Representantes e, pouco depois das 23h30, o controle democrata do Senado. A CNBC também projeta maioria democrata nas duas Casas: ao menos 245 cadeiras na Câmara, onde são necessárias 218, e ao menos 51 no Senado, mínimo para controlar a Casa de 100 vagas.
O resultado inclui viradas que a imprensa americana destacou. No Texas, o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton; a CBS informa que ele é o primeiro democrata eleito para uma vaga do Texas no Senado desde 1988. No Maine, Troy Jackson (D) venceu a senadora republicana Susan Collins, que reconheceu a derrota antes da projeção. Em Michigan, Abdul El-Sayed (D) venceu Mike Rogers (R), projetado às 2h30 de quarta pela CBS. Na Geórgia, o democrata Jon Ossoff foi reeleito.
Também foram projetadas vitórias democratas na Carolina do Norte (Roy Cooper), na Carolina do Sul (Annie Andrews), em Ohio (Sherrod Brown), no Kansas (Adam Hamilton), em Iowa (Josh Turek), em New Hampshire (Chris Pappas) e em Minnesota (Peggy Flanagan). Os republicanos seguraram vagas como a da Flórida (Ashley Moody) e a de Nebraska (Pete Ricketts).
Os números
| Disputa | Situação até a manhã de 4/11 |
|---|---|
| Câmara dos Representantes | Maioria democrata projetada (CBS; CNBC fala em ao menos 245 de 435 cadeiras) |
| Senado | Maioria democrata projetada (CBS; CNBC fala em ao menos 51 de 100) |
| Texas (Senado) | Talarico (D) venceu Paxton (R) |
| Michigan (Senado) | El-Sayed (D) venceu Rogers (R) |
| Maine (Senado) | Jackson (D) venceu Collins (R) |
| Alasca e Mississippi (Senado) | Sem projeção na atualização das 4h20 da CBS |
Atenção: os dois veículos usam blogs de cobertura ao vivo, e os números mudam conforme a apuração avança. A própria CBS informava cerca de 75 disputas da Câmara ainda sem definição na atualização das 4h19. Por isso usamos aqui apenas o que as duas redes projetam em comum e tratamos contagens finais como provisórias. Outros veículos publicam totais diferentes para o Senado, o que reforça a cautela.
O que dizem os dois lados
O que diz o presidente Trump. Segundo a CBS, ele afirmou que sua mensagem era “parabéns aos democratas” e que espera trabalhar com eles “pelo bem do país”. Perguntado se aceitaria os resultados, respondeu: “Sim, claro que vou aceitar. Por que não?”. Antes do fechamento das urnas, ele havia lembrado que tem o “poder supremo” do veto, também segundo a CBS. A CNBC registra que ele se disse “absolutamente disposto” a aceitar o resultado.
O que dizem os democratas. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou, segundo a CBS: “contra todas as probabilidades, nós, democratas, vencemos o Senado”. O líder na Câmara, Hakeem Jeffries, disse que “a América está de volta”. A ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi o parabenizou como “próximo presidente da Câmara”. Talarico disse, na noite da vitória: “Esta noite, derrotamos Golias”. Nikki Budzinski, que assumirá a liderança de uma coalizão de democratas moderados, chamou o resultado de “repúdio” a Trump, de acordo com a CNBC.
Leitura da ANTÍTESE
O fato central está consolidado nas duas fontes: a oposição vence nas duas Casas, e o presidente americano reconhece publicamente o resultado. É um dado relevante num país onde a aceitação dos resultados foi tema de disputa em ciclos anteriores. O que ainda não está fechado é a margem exata, e é nela que se decide quanto poder real os democratas terão para aprovar leis ou apenas para investigar e travar a pauta, já que o veto presidencial continua à disposição de Trump.
Para o Brasil, é prudente separar o que é fato do que é projeção. Não há, até agora, medida anunciada que mude o comércio ou as relações entre os dois países por causa da eleição. O leitor deve acompanhar a posse em janeiro, a composição das comissões que tratam de comércio e relações exteriores e eventuais votações sobre tarifas. Dizer hoje quem ganha ou perde no Brasil seria especulação, e não vamos fazê-lo.
Fatos e fontes
| O que foi dito | Fontes |
|---|---|
| Democratas projetados como vencedores na Câmara e no Senado | CBS News; CNBC; ABC News |
| Talarico (D) vence Paxton (R) no Texas | CBS News; CNBC |
| El-Sayed (D) vence Rogers (R) em Michigan | CBS News; ABC News |
| Jackson (D) vence Collins (R) no Maine | CBS News; CNBC |
| Trump diz que aceita o resultado | CBS News; CNBC |
Créditos
Imagem destacada: James Talarico em evento em Austin (Texas), 2023. Foto: Larry D. Moore, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Matéria da redação da ANTÍTESE BRAZIL, revisada contra as fontes listadas. Nenhuma pessoa real foi gerada ou alterada por IA. Sem impulsionamento pago. Leia nossa política editorial.
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