BBAS3 despenca 29%: o que se sabe da queda do Banco do Brasil

O papel do Banco do Brasil perdeu 29,33% no primeiro pregão após a reeleição de Lula, a maior queda entre os grandes bancos. Veja os números, as explicações de analistas e a resposta do Tesouro.

Por Redação ANTÍTESE BRAZIL

Fachada do edifício-sede do Banco do Brasil em Brasília

O Banco do Brasil (BBAS3) fechou a segunda-feira (26) em queda de 29,33%, a R$ 17,47, a maior perda entre os grandes bancos no primeiro pregão após a reeleição de Lula, segundo a Bloomberg Línea. A B3 acionou o circuit breaker logo depois da abertura, o primeiro desde março de 2020, de acordo com a CNN Brasil.

Quem busca “BBAS3” quer saber se o tombo é um problema do banco ou do país. A resposta curta, pelos dados do dia: foi uma reprecificação geral de juros, câmbio e contas públicas, mas o Banco do Brasil apanhou mais do que a maioria. Isso importa para quem tem ações ou fundos, e também para quem acompanha o dólar e os juros, que subiram juntos.

O que aconteceu

O pregão de segunda foi o primeiro depois do segundo turno. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, resultado anunciado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, segundo o próprio TSE. O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, a maior desde março de 2020, conforme CNN Brasil e Bloomberg Línea. Na mínima, chegou a cair mais de 17%.

O BBAS3 teve a maior perda do setor bancário. Ao longo do dia, o papel chegou a recuar cerca de 31%, de acordo com o Guia do Investidor, antes de fechar a R$ 17,47. Os demais bancos também caíram: o BTG Pactual perdeu 24,83% e o Bradesco, 21,70%, segundo o BPMoney e o SpaceMoney.

O dólar fechou perto de R$ 5,41, alta de cerca de 8%, a maior em 23 anos, e os juros futuros dispararam: o DI para janeiro de 2031 fechou em 15,185%, após máxima de 15,94% no dia, segundo a CNN Brasil. A reportagem que cita a Folha lembra que alta de juros futuros não significa mudança na Selic, que só o Banco Central decide.

Os números

AtivoVariação em 26/10
Banco do Brasil (BBAS3)−29,33%, a R$ 17,47
BTG Pactual (BPAC11)−24,83%
Bradesco (BBDC4)−21,70%
Ibovespa−13,88%, a 176.608 pontos
Dólar≈ R$ 5,41 (+8%)
Suzano (SUZB3)+10,08%
Embraer (EMBJ3)+8,89%

O contraste na última linha da tabela é parte da história: ganharam as empresas com receita ligada ao dólar, segundo a Bloomberg Línea. As que dependem de juro baixo e crédito ao consumidor lideraram as perdas.

O que dizem os dois lados

O que diz o mercado. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, associou a queda ao descompasso entre as expectativas dos investidores e o resultado das urnas, o que gerou cautela sobre as diretrizes fiscais e econômicas, em declaração à CNN Brasil em 26/10. Gabriel Magno, da AW Capital, disse ao mesmo veículo que investidores globais reduziram expectativas para mais quatro anos de um governo associado a juros reais elevados. A Bloomberg Línea descreve o movimento como o de investidores que apostavam em troca de governo e em ajuste fiscal mais forte e tiveram de refazer posições; a Reuters, segundo a reportagem do Click Petróleo e Gás, relata que parte do mercado estava posicionada para vitória da oposição.

O que diz o governo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao jornal O Globo, em 26/10, que o Tesouro vai comprar títulos públicos para devolver liquidez ao mercado e que não fala em controle de preço, mas em “alguma racionalidade”. Segundo a reportagem do Brasil 247, ele afirmou conversar com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, falou em buscar o centro da meta de resultado primário e defendeu que não haja “chantagem de um lado e nem retaliação de outro” entre governo e mercado. Lula reuniu-se à noite no Alvorada com Durigan e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, de acordo com a Tribuna do Sertão e da ACIARA. Não localizamos, até a manhã desta terça (27), declaração pública do próprio Lula sobre a queda.

Leitura da ANTÍTESE

Um dia de pregão não decide o rumo de um banco nem de um governo, e a própria Bloomberg Línea mostra que a queda foi desigual: exportadoras subiram enquanto bancos e varejo afundaram. O que os números sustentam é que o mercado reagiu a uma surpresa sobre juros e contas públicas, e que o BB, por ser estatal e muito exposto a esse cenário, pagou o preço mais alto entre os grandes bancos. Por que exatamente o BB caiu mais do que o BTG ou o Bradesco, nenhuma das fontes que consultamos explica com dado verificável; quem afirmar o contrário com certeza está indo além dos fatos.

Também é fato que o próprio Ministério da Fazenda considerou o movimento grave o bastante para anunciar atuação do Tesouro no mesmo dia. A pergunta que fica para as próximas semanas é objetiva: quem será o ministro da Fazenda do novo mandato e que meta fiscal ele vai defender? A Bloomberg Línea e o Monitor Mercantil apontam esses dois pontos como o que o mercado acompanha agora. Acompanharemos.

Fatos e fontes

O que foi ditoFontes
BBAS3 fechou em −29,33%, a R$ 17,47Bloomberg Línea · BPMoney
Ibovespa −13,88%, a 176.608 pontos, maior queda desde março de 2020CNN Brasil · Bloomberg Línea
Circuit breaker, o primeiro desde 2020CNN Brasil · Click Petróleo e Gás
BTG −24,83% e Bradesco −21,70%BPMoney · SpaceMoney
Dólar perto de R$ 5,41, alta de cerca de 8%CNN Brasil · Click Petróleo e Gás (Folha)
Lula reeleito com 51,79% dos válidosTSE · InfoMoney
Durigan anuncia atuação do Tesouro com compra de títulosBrasil 247 · 98 FM Natal

Créditos

Imagem destacada: fachada da sede do Banco do Brasil em Brasília. Foto: Fernando Bizerra/Agência Senado, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

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