Em entrevista com Daniella Marques publicada no canal de Marçal no YouTube em 30/09/2026, Pablo Marçal foi perguntado se “tem que matar bandido” e respondeu que não acredita “em execução”, mas que quem “levantou contra a sociedade” “entrou na fila” e que “não tem romantismo no assunto”. A conversa aconteceu menos de três semanas depois de o TSE negar, por unanimidade, o registro da candidatura dele à Presidência, em 11/09/2026, segundo o Movimento Econômico e o Portal de Prefeitura.
O corte mostra a resposta de Marçal e a defesa que ele faz de Guilherme Derrite contra a crítica de que “a polícia mata demais”. A matéria acrescenta o episódio que motivou a pergunta, as mortes pela polícia em São Paulo em 2024 e 2025 e o que mudou para Derrite e para Marçal.
O que foi dito
- (0:01) Daniella Marques: “Marçal, você acha que tem que matar bandido?”
- (0:03) Marçal: “Não. Quem acha que tem que morrer é ele, que saiu armado contra todos nós. Eu não acredito em matar bandido, eu não acredito em execução. Eu acredito em defender quem acordou para trabalhar.”
- (0:17) Marçal: “Eu vejo os ataques ao Derrite: ‘a polícia mata demais’. Ela não mata demais, não. É o cara que se suicida, irmão. Se o cara levantou contra a sociedade, significa que ele entrou na fila.”
- (0:29) Marçal: “Não quer morrer num confronto com a polícia? Não ouse levantar uma arma contra o cidadão. Levantou, você está pedindo para ser levado pro IML. Não tem romantismo no assunto.”
Contexto e o outro lado
O caso que abriu a conversa. Antes da pergunta, a entrevista exibe uma reportagem sobre Flávio Bolsonaro trocando tiros com dois assaltantes, por volta das 11h, na Avenida das Américas, no Rio; logo depois (49:38), Marçal comenta: “O cara abriu fogo e foi para cima, mano. Uma pena que não matou o bandido.” O caso mostrado corresponde ao episódio de 12/04/2016, segundo a Tribuna PR e o BandAB: Flávio, então deputado estadual, ia à Alerj quando dois homens em motos tentaram roubar o carro ao lado; o segurança dele, um policial militar, deu voz de prisão, houve troca de tiros e o carro do deputado foi atingido por ao menos seis disparos; um dos assaltantes foi ferido e os dois fugiram. Nem o Short nem o trecho da entrevista informam a data do caso.
O que dizem os números de São Paulo. Marçal afirma que a polícia “não mata demais”. O estado registrou 834 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, contra 813 em 2024, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública analisados pela CNN Brasil e o levantamento da Rede de Observatórios da Segurança publicado pela Gazeta SP e pelo O Liberal (Estadão Conteúdo), que aponta o maior número da série iniciada em 2019. De janeiro a outubro de 2025 foram 650 mortes, o segundo maior número em cinco anos, segundo a Jovem Pan e o ABCdoABC. Se é “demais” ou não é um juízo; o número de mortos cresceu.
De onde vêm os “ataques ao Derrite”. Guilherme Derrite foi secretário da Segurança Pública de São Paulo de 2023 até 05/11/2025, quando foi exonerado para reassumir o mandato de deputado e relatar o PL Antifacção na Câmara, segundo A Gazeta e o SBT News. Na gestão dele, a Operação Escudo (julho a setembro de 2023) deixou 28 mortos e a Operação Verão de 2024, 66, na Baixada Santista; em 2025, sem grandes operações, as mortes por policiais em Santos, São Vicente e Guarujá caíram de 111 para 25, segundo o Metrópoles. Derrite é candidato ao Senado por São Paulo pelo PP em 2026, oficializado em 20/07/2026, conforme a CNN Brasil e o Correio da Manhã.
Quem fala: Marçal depois do TSE. Marçal (PRTB) ficou em terceiro na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, com 28,14% dos votos válidos, segundo o Metrópoles e o Diário do Nordeste. Em 11/09/2026, os sete ministros do TSE, seguindo a relatora Estela Aranha, negaram o registro dele à Presidência: ele está inelegível até 2032 por condenação da Justiça Eleitoral de São Paulo relacionada à campanha de 2024, e o Ministério Público apontou que ele ainda estava filiado ao União Brasil quando fechou a janela partidária, segundo o Movimento Econômico e o Jornal Opção.
Quem pergunta. Daniella Marques presidiu a Caixa de julho de 2022 a janeiro de 2023 e foi anunciada por Flávio Bolsonaro para a agenda econômica da campanha em junho de 2026, segundo o Congresso em Foco e a Bloomberg Línea. Flávio disputa o 2º turno em 25/10/2026 contra Lula, segundo a Agência Senado.
Fatos e fontes
| O que foi dito | Fontes |
|---|---|
| Tiroteio de Flávio Bolsonaro na Avenida das Américas, 12/04/2016; carro atingido por seis tiros; um assaltante ferido | Tribuna PR · BandAB |
| 834 mortes decorrentes de intervenção policial em SP em 2025 (813 em 2024), maior número desde 2019 | CNN Brasil · Gazeta SP · O Liberal |
| 650 mortes de janeiro a outubro de 2025, 2º maior número em 5 anos | Jovem Pan · ABCdoABC |
| Marçal (49:38): “Uma pena que não matou o bandido”; tiroteio de 2016 exibido na entrevista | Canal Pablo Marçal · Tribuna PR |
| Derrite secretário de 2023 a 05/11/2025; exonerado para relatar o PL Antifacção | A Gazeta · SBT News · CNN Brasil |
| Operação Escudo (2023): 28 mortos; Operação Verão (2024): 66; litoral cai de 111 para 25 mortes em 2025 | Metrópoles · CNN Brasil |
| Derrite candidato ao Senado (PP) em 2026, oficializado em 20/07/2026 | Correio da Manhã · CNN Brasil |
| Marçal 3º em São Paulo em 2024, com 28,14% | Metrópoles · Diário do Nordeste |
| TSE nega registro de Marçal por unanimidade em 11/09/2026; inelegível até 2032 | Movimento Econômico · Jornal Opção · Portal de Prefeitura |
| Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, na agenda econômica de Flávio | Congresso em Foco · Bloomberg Línea |
Falas, imagens e créditos
- Trecho da entrevista de Pablo Marçal com Daniella Marques, canal Pablo Marçal (YouTube, 30/09/2026), a partir de 49:40: https://youtu.be/a_P9ULCIRBA
- Imagem destacada: Pablo Marçal em entrevista a Kim Kataguiri, quadro do vídeo “Questionei o Pablo Marçal no Marçal Talks” (27/05/2024), autor Kim Kataguiri, licença CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
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