O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reagiu, em vídeo publicado após a sabatina, a uma pergunta que o apresentador César Tralli fez a seu irmão Flávio Bolsonaro (PL) no Jornal Nacional, na TV Globo, na noite de sexta-feira, 28/08/2026 (Poder360). Tralli afirmou que Eduardo atuou nos Estados Unidos para obter medidas contra autoridades brasileiras “com o objetivo de interferir no processo criminal” do pai, Jair Bolsonaro. Eduardo chamou Tralli de “mentiroso” e negou ter tido essa intenção.
O vídeo mostra a pergunta de Tralli e a resposta de Eduardo, gravada fora do estúdio, depois da exibição. Esta matéria acrescenta o que a Justiça já tinha decidido sobre o tema: em junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo por coação no curso do processo, ao tentar interferir na ação penal da trama golpista (STF).
O que foi dito
- (1min14) Eduardo afirmou: “Nunca falei que a minha intenção é interferir no processo do meu pai, porque eu já sabia que era um jogo de cartas marcadas.”
- (1min37) Eduardo disse que o ministro Alexandre de Moraes julgou o pai e agora “está nos julgando”, e que não esperava isenção dele.
- (2min00) Eduardo desafiou: “Me apresente um vídeo meu falando que eu trabalhei, que eu desejei ou que eu estava tentando influenciar autoridades (…) para que fossem implementadas tarifas.” Disse que o que fez foram “denúncias sobre abusos de direitos humanos”.
- (4min04) Eduardo disse que ficou “feliz” quando o presidente dos EUA falou do Brasil, “da perseguição” e “da censura”.
Contexto e o outro lado
O que o STF decidiu. Em 16/06/2026, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro, por 4 votos a 0, pelo crime de coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal), na Ação Penal 2782. A pena foi de quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, mais 50 dias-multa, com inelegibilidade e perda do cargo de escrivão da Polícia Federal (Agência Brasil; PGR). Votaram com o relator, Alexandre de Moraes, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Segundo a acusação, o objetivo era interferir na ação penal da trama golpista, na qual Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses em 11/09/2025.
O que a acusação apresentou. A denúncia foi oferecida pelo procurador-geral Paulo Gonet em 22/09/2025. Segundo a PGR, as pressões foram feitas em público, em postagens do próprio Eduardo, declarações à imprensa e vídeos, nos quais ele relatava contatos com autoridades americanas, em crime continuado em pelo menos nove ocasiões (PGR; Congresso em Foco). Segundo o Congresso em Foco, o relator considerou que as condutas extrapolaram o campo da manifestação política e configuraram uma tentativa de influenciar a atividade jurisdicional. Segundo a Agência Brasil, a condenação abrange o estímulo a sanções da Lei Magnitsky e à revogação de vistos de ministros, além do tarifaço. O caso julgado, portanto, não se resume a um pedido de tarifa, que é o ponto do desafio feito por Eduardo.
O que disse a defesa. Como Eduardo não indicou advogado, foi representado pela Defensoria Pública da União, que pediu a absolvição. A DPU sustentou que ele exercia atividade política legítima, protegida pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar, e que “não houve grave ameaça” capaz de caracterizar o crime (Congresso em Foco; Agência Brasil). Depois da condenação, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse à agência Reuters que o caso integra um “padrão de perseguição e guerra jurídica (lawfare)” dos tribunais brasileiros contra opositores (Diário do Comércio/Estadão; Congresso em Foco).
O episódio da UTI. Eduardo citou “um cara que foi intimado dentro de uma UTI”. O fato ocorreu: em 23/04/2025, uma oficial de Justiça entregou a Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília, a intimação do STF para apresentar defesa no processo da trama golpista. Bolsonaro gravou a entrega; sindicatos de oficiais de Justiça afirmaram que a servidora agiu dentro da legalidade (Metrópoles; Gazeta do Povo).
O que mudou depois do vídeo. Em julgamento no Plenário virtual de 11 a 18/09/2026, a Primeira Turma rejeitou por unanimidade os embargos de declaração de Eduardo e manteve a condenação (Conjur; SBT News). Eduardo perdeu o mandato de deputado federal em 18/12/2025, por faltas (Migalhas; Jornal de Brasília).
Fatos e fontes
| O que foi dito | Fontes |
|---|---|
| Sabatina de Flávio no Jornal Nacional, 28/08/2026, com César Tralli e Renata Vasconcellos; pergunta de Tralli sobre Eduardo e o tarifaço | Poder360 (íntegra) · SBT News · Congresso em Foco · iMirante |
| Condenação de Eduardo em 16/06/2026: 4 × 0, 4 anos e 2 meses, semiaberto, 50 dias-multa, inelegibilidade | Agência Brasil · PGR · Congresso em Foco |
| Denúncia da PGR em 22/09/2025; provas em postagens, declarações e vídeos; crime continuado em pelo menos nove ocasiões | Congresso em Foco · SBT News · PGR |
| Defesa feita pela DPU, com pedido de absolvição | Congresso em Foco · Agência Brasil |
| Departamento de Estado: “padrão de perseguição e guerra jurídica (lawfare)” | Diário do Comércio · Congresso em Foco |
| Embargos de declaração rejeitados por unanimidade no Plenário virtual (11 a 18/09/2026) | Conjur · SBT News |
| Jair Bolsonaro intimado na UTI em 23/04/2025 | Metrópoles · Gazeta do Povo |
| Jair Bolsonaro condenado a 27 anos e 3 meses em 11/09/2025 | Itatiaia · Diário do Grande ABC |
| Perda do mandato de Eduardo em 18/12/2025, por faltas | Migalhas · Jornal de Brasília |
Falas, imagens e créditos
- Fala de Eduardo Bolsonaro em vídeo publicado após a sabatina (canal ou perfil de origem não localizado pela redação); pergunta de César Tralli exibida pela TV Globo no Jornal Nacional (28/08/2026), com íntegra publicada pelo Poder360.
- Imagem destacada: Eduardo Bolsonaro na CPAC 2025, em National Harbor (EUA), em 20/02/2025. Foto de Gage Skidmore, licença CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
Transparência
Falas e imagens de terceiros usadas para crítica e comentário, com crédito (Lei 9.610/98, art. 46, III). Nenhuma pessoa real foi gerada ou alterada por IA. Sem impulsionamento pago. Leia nossa política editorial.
Pense. Questione. Discorde. Inscreva-se no canal ANTÍTESE BRAZIL e questione a narrativa. #AntiteseBrazil #QuestioneANarrativa





Deixe um comentário