·

Eduardo cita “velhinhas presas” contra Tralli: o que dizem os dados

Eduardo Bolsonaro reagiu a uma pergunta que César Tralli fez a Flávio no JN citando “velhinhas presas”. Veja o que foi perguntado, o que Flávio respondeu e o que os balanços do STF mostram sobre os condenados do 8 de janeiro.

Por Redação ANTÍTESE BRAZIL

Eduardo Bolsonaro discursa na CPAC 2025, em National Harbor, Maryland (EUA)

Eduardo Bolsonaro reagiu a uma pergunta feita pelo jornalista César Tralli ao irmão, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), na sabatina do Jornal Nacional exibida na noite de 28/08/2026. Tralli quis saber se Eduardo, ao agradecer a Trump pelo tarifaço dos Estados Unidos, colocou os interesses da família acima dos do país, segundo a CNN Brasil. A resposta de Eduardo: “pergunte a uma das velhinhas que estão presas”.

O vídeo mostra a reação de Eduardo, em que ele chama a pergunta de calúnia. A matéria acrescenta o que foi perguntado e respondido no JN e o que os dados públicos do Supremo Tribunal Federal (STF) dizem sobre a idade e a situação dos condenados pelo 8 de janeiro.

Assista no canal ANTÍTESE BRAZIL no YouTube.

O que foi dito

  • Por volta de 0:47, depois do trecho em que Tralli pergunta se Eduardo colocou os interesses da família Bolsonaro à frente dos do Brasil, Eduardo afirmou: “Não, César Tralli, pergunte a uma das velhinhas que estão presas”, e disse que denunciar “as violações de direitos humanos de Alexandre de Moraes” não é colocar a família acima do Brasil.
  • Por volta de 2:15, Eduardo disse que paga um preço pessoal pela atuação política e que ouvir de “jornalista da Globo” que pôs os interesses da família acima do país é “o diretamente oposto”.
  • Por volta de 2:33, Eduardo afirmou: “Dobre a sua língua, César Tralli”. Segundo ele, a pergunta não era “de jornalista”, buscava “induzir o Flávio ao erro” e era “uma calúnia contra a minha honra”.

Contexto e o outro lado

O que motivou a pergunta. Em julho de 2025, quando o governo de Donald Trump anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo agradeceu a Trump nas redes sociais, segundo o Metrópoles e a CNN Brasil. Foi sobre esse agradecimento que Tralli perguntou a Flávio no JN.

O que Flávio respondeu. Na sabatina, o próprio Flávio disse: “Eu acho que ele errou em agradecer com relação às tarifas”. Ele acrescentou que a decisão foi do governo americano e que, se Eduardo tivesse posto interesses próprios à frente, não estaria “exilado nos Estados Unidos”, de acordo com a CNN Brasil e o Metrópoles. A Agência Lupa e o Aos Fatos registraram que Eduardo diz ter defendido apenas sanções individuais, e não tarifas, embora tenha admitido que a taxação foi discutida com autoridades americanas.

Quem são os condenados pelo 8 de janeiro. Em março de 2025, o STF divulgou a faixa etária de 497 condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023: 454 tinham menos de 60 anos, 36 tinham de 60 a 69 anos e 7 tinham mais de 70, segundo o Poder360 e a ConJur.

Quantos seguem presos. O balanço mais recente que encontramos, divulgado pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes em 29/04/2026, soma 1.402 condenados. Desses, 431 receberam pena de prisão e 419 penas alternativas; outros 552 casos foram encerrados por acordo de não persecução penal. Ao todo, 190 pessoas seguiam presas, entre regime fechado, semiaberto e prisão domiciliar, segundo o Imirante, com dados do Estadão, e A Crítica. Em 24/04/2026, Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária, com tornozeleira, a idosos condenados com idades entre 60 e 73 anos, segundo o SBT News e a Gazeta do Povo; as duas reportagens falam em 18 beneficiados.

O que mudou nas penas. Em 30/04/2026, o Congresso derrubou o veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria, e a Lei 15.402/2026 foi promulgada por Davi Alcolumbre em 08/05/2026, segundo a Agência Senado e a Agência Câmara. A lei permite reduzir penas de quem agiu em multidão sem financiar nem liderar os atos, mas a redução não é automática: cada defesa precisa pedir o recálculo ao STF. Não encontramos balanço oficial posterior com o número atualizado de presos nem com a idade de quem segue preso.

Fatos e fontes

O que foi ditoFontes
Sabatina de Flávio no JN, com César Tralli e Renata Vasconcellos, em 28/08/2026Lupa · Aos Fatos · Metrópoles
Eduardo agradeceu a Trump pela tarifa de 50% (2025); Flávio: “ele errou em agradecer”CNN Brasil · Metrópoles
Eduardo diz ter defendido só sanções individuais; taxação foi discutida com autoridades dos EUALupa · Aos Fatos
STF (mar/2025): 497 condenados; 36 de 60 a 69 anos e 7 acima de 70Poder360 · ConJur
Balanço de 29/04/2026: 1.402 condenados e 190 presos; 431 prisão, 419 alternativas, 552 acordosImirante/Estadão · A Crítica · Região Noroeste
Domiciliar humanitária a 18 idosos de 60 a 73 anos (24/04/2026)SBT News · Gazeta do Povo
Lei 15.402/2026 (dosimetria): veto derrubado em 30/04, promulgada em 08/05; redução não é automáticaAgência Senado · Agência Câmara

Falas, imagens e créditos

  • Trecho de Eduardo Bolsonaro reproduzido no canal ANTÍTESE BRAZIL, citado para crítica e comentário.
  • Pergunta original: sabatina de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional, TV Globo, 28/08/2026.
  • Imagem de capa: Eduardo Bolsonaro na CPAC 2025 (20/02/2025), foto de Gage Skidmore, licença CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Transparência

Falas e imagens de terceiros usadas para crítica e comentário, com crédito (Lei 9.610/98, art. 46, III). Nenhuma pessoa real foi gerada ou alterada por IA. Sem impulsionamento pago. Leia nossa política editorial.

Pense. Questione. Discorde. Inscreva-se no canal ANTÍTESE BRAZIL e questione a narrativa. #AntiteseBrazil #QuestioneANarrativa


Veja também

Deixe um comentário