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Eduardo Bolsonaro diz que não propôs trazer o Zelle ao Brasil

Em vídeo sobre a entrevista de Flávio ao Jornal Nacional, Eduardo chama de “fake news” a acusação de negociar o Pix e diz que só citou o Zelle. Veja o que ele disse em junho e o que a investigação dos EUA fala do Pix.

Por Redação ANTÍTESE BRAZIL

Eduardo Bolsonaro discursa na CPAC 2025, em National Harbor, Maryland (EUA)

Eduardo Bolsonaro chamou de “fake news” a acusação de que propôs negociar o Pix com os Estados Unidos e disse que apenas citou o Zelle, sistema de pagamentos americano, em vídeo em que comenta a entrevista do irmão, Flávio Bolsonaro (PL), ao Jornal Nacional, exibida pela TV Globo em 28/08/2026. Na entrevista, Flávio respondeu “De forma alguma” à pergunta sobre negociar o sistema e disse que Eduardo apenas citou que os EUA têm mecanismo parecido, segundo o Congresso em Foco e a Aos Fatos.

O vídeo mostra a resposta de Flávio e a defesa que Eduardo faz da própria fala. A matéria acrescenta o que Eduardo disse em junho, o que a investigação comercial americana diz sobre o Pix e o que os registros mostram sobre a criação do sistema.

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O que foi dito

  • No trecho da entrevista exibido no vídeo (cerca de 0:10), Flávio responde a César Tralli: “De forma alguma. O Pix é sagrado. O Pix é do brasileiro, foi feito na gestão do presidente Bolsonaro.”
  • Eduardo afirma (cerca de 0:33) que a acusação é “uma narrativa feita, uma fake news prontinha” e repete sua fala de junho: os EUA têm “mecanismo muito semelhante ao Pix, como por exemplo o Zelle”; “então, dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos” (cerca de 0:58).
  • Eduardo diz (cerca de 2:36) que Jair Bolsonaro “peita os bancos” e “implementa o Pix sem taxa”, e compara o papel do pai ao desembarque na Normandia.
  • Eduardo conclui (cerca de 3:08): “Eu não falei para trazer o Zelle pro Brasil.”

Contexto e o outro lado

O que Eduardo disse em junho. Em entrevista ao canal TMC em 03/06/2026, Eduardo afirmou que os EUA têm “mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle” e que “dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, segundo a BBC News Brasil e a Gazeta do Povo. Parte da imprensa noticiou a fala como sugestão de trocar o Pix pelo Zelle; depois, Eduardo escreveu no X que nunca propôs a troca e que é “pró-PIX”, segundo a BBC. A Gazeta do Povo registrou que ele não defendeu substituir o Pix. O Zelle é uma rede privada operada por bancos americanos; o Pix é infraestrutura pública do Banco Central, segundo os dois veículos.

O Pix na investigação americana. O escritório de comércio dos EUA (USTR) abriu em julho de 2025 uma investigação pela Seção 301 contra o Brasil que inclui serviços de pagamento eletrônico. Em 01/06/2026, o relatório afirmou que o Brasil favorece “seu campeão nacional, o Pix” e propôs tarifa de 25% (BBC, Poder360). A tarifa foi confirmada em 15/07/2026 e passou a valer em 22/07, com exceções como carne, café e suco de laranja (Poder360, BrasilAgro). Em 02/06/2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Pix é “patrimônio nacional” e não entra na negociação com os EUA (Agência Brasil, Poder360).

Quem criou o Pix. O Banco Central publicou as bases do sistema em dezembro de 2018, no governo Michel Temer; o Pix foi lançado em 16/11/2020, no governo Jair Bolsonaro, segundo a Agência Brasil e a BBC. A Agência Lupa classificou como falsa a frase de Flávio, na entrevista, de que o Pix foi criado no governo Bolsonaro. Sobre a gratuidade, a Aos Fatos e a Lupa registram que a isenção para pessoas físicas foi definida pelo Banco Central em 2020 e que não há indicação, nos documentos, de que tenha sido exigência do então presidente.

Eduardo e o tarifaço na Justiça. Em 16/06/2026, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo, por unanimidade, a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto, por coação no curso do processo; segundo o STF, a acusação incluía a articulação por sanções e tarifas dos EUA contra o Brasil (STF, InfoMoney). No julgamento, a defesa sustentou que prosseguir com o processo tornava a ação penal nula, segundo a InfoMoney. Em 18/09/2026, a Primeira Turma rejeitou por unanimidade os embargos de declaração e manteve a pena (g1, Conjur). Na entrevista ao JN, Flávio disse que o irmão “errou de agradecer com relação às tarifas” (Congresso em Foco, Aos Fatos).

O que mudou depois. No 1º turno, em 04/10/2026, Flávio teve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, com 100% das urnas apuradas (Poder360); o 2º turno será em 25/10 (Agência Senado).

Fatos e fontes

O que foi ditoFontes
Entrevista de Flávio ao JN (TV Globo, 28/08/2026): “De forma alguma… o Pix é sagrado”Congresso em Foco · Aos Fatos
Fala de Eduardo sobre o Zelle (TMC, 03/06/2026) e negativa posteriorBBC · Gazeta do Povo
USTR propõe tarifa de 25% e cita o Pix (01/06/2026)BBC · Poder360
Tarifa confirmada em 15/07, em vigor em 22/07/2026Poder360 · BrasilAgro
Alckmin (02/06/2026): Pix é “patrimônio nacional” e fica fora da negociaçãoAgência Brasil · Poder360
Bases do Pix em 2018 (Temer); lançamento em 16/11/2020 (Bolsonaro)Agência Brasil · BBC · Lupa
Gratuidade do Pix definida pelo BC; sem registro de exigência de BolsonaroAos Fatos · Lupa
Eduardo condenado pelo STF por coação (16/06/2026); acusação inclui sanções e tarifas dos EUASTF · InfoMoney
Embargos rejeitados por unanimidade; pena mantida (18/09/2026)g1 · Conjur
Flávio: Eduardo “errou de agradecer com relação às tarifas”Congresso em Foco · Aos Fatos
1º turno: 47,03% a 45,16%, com 100% das urnas apuradas; 2º turno em 25/10Poder360 · Agência Senado

Falas, imagens e créditos

  • Trecho de vídeo de Eduardo Bolsonaro (29/08/2026), reação à entrevista de Flávio ao Jornal Nacional.
  • Jornal Nacional, TV Globo (28/08/2026): entrevista com Flávio Bolsonaro conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli.
  • Imagem de capa: Eduardo Bolsonaro na CPAC 2025 (20/02/2025), foto de Gage Skidmore, licença CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

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